Limão Actualizado 05/08/2011
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COCHONILHAS
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Planococcus citri (Risso) (cochonilha algodão), Lepidosaphes beckii Newman (cochonilha vírgula), Aspidiotus nerii Bouché (cochonilha branca), Chrysomphalus dictyospermi (Morgan) (cochonilha de pinta amarela), Saissetia oleae Olivier (cochonilha H ou negra
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A cultura dos citrinos é infestada por diversas espécies de cochonilhas. Em Portugal, as espécies seguintes são consideradas como as mais importantes na cultura dos citrinos: as cochonilhas algodão (Planococcus citri (Risso)); a cochonilha vírgula (Lepidosaphes beckii Newman) e a cochonilha de pinta amarela (Chrysomphalus dictyospermi (Morgan)), da família Diaspididae; e a cochonilha H ou negra da oliveira (Saissetia oleae (Olivier)), da família Coccidea.
Planococcus citri (Risso) (cochonilha algodão)
Esta cochonilha da família Pseudococcidae apresenta ovos elipsóides, com coloração amarelo-pálido, unidos uns aos outros por intermédio de filamentos cerosos, formando o saco ovígero. Após a eclosão, o desenvolvimento dos machos e das fêmeas é idêntico durante os primeiros dois instares ninfais. A ninfa do 1º instar apresenta forma elíptica, cor amarelo limão a rosada pálido e possui antenas com seis artículos, três pares de patas bem desenvolvidas e olhos salientes e escuros. A ninfa do 2º instar é semelhante ao estádio anterior, sendo apenas um pouco maior e apresenta patas e antenas proporcionalmente menores em relação ao corpo. A ninfa do 3º instar é igualmente semelhante ao estádio anterior, sendo mais visível os 18 pares de projecções cerosas característicos da espécie. As fêmeas têm menos um instar ninfal que os machos, isto é, as fêmeas têm apenas três instares ninfais, enquanto os machos têm quatro, apresentando neste 4º instar apêndices segmentados, alongados e esboços alares alongados.
Os machos deixam de se alimentar no final do 2º instar ninfal, altura em que formam um casulo, constituído por filamentos cerosos, no interior do qual permanecem até completar o ciclo de desenvolvimento, o qual compreende mais dois instares ninfais (isto é, pré-pupa e pupa). Após a emergência, os machos adultos permanecem um a três dias no interior do casulo até se formarem os apêndices anais e se completar a esclerotização do tegumento e têm um período de vida livre muito curto, de um a sete dias.
As fêmeas são fecundadas poucas horas após a sua formação. As condições ideais para tal, são temperaturas na ordem dos 25 ºC e humidade relativa próxima de 70 %. Nestas condições, passados dois dias, formam-se os sacos de ovos, iniciando-se a postura sete dias após a fecundação, período que pode prolongar-se com frequência por 30 a 45 dias, uma vez que esta decorre de forma escalonada. A fecundidade média é aproximadamente de 200 ovos.
O período de incubação tem a duração de cerca de seis dias. Após a eclosão, o 1º instar procura um local abrigado onde se vai fixar. O desenvolvimento da fase ninfal (incluindo a fase de pré-pupa e de pupa no macho) tem a duração de cerca de 21 a 22 dias, sob condições favoráveis de temperatura e humidade relativa. A longevidade dos adultos é de 25 dias para as fêmeas e de sete dias para os machos. Nestas condições o ciclo de vida tem a duração de 53 dias para a fêmea e de 34 dias para os machos.
Foi elaborado para Portugal um modelo que relaciona a dinâmica populacional do complexo de cochonilhas algodão e a fenologia dos citrinos, no qual são descritos os diferentes tipos de migrações sazonais destas cochonilhas. São reconhecidos três períodos principais, definidos de acordo com a fenologia dos citrinos, nomeadamente rebentação primaveril com o crescimento dos rebentos e floração (fins Janeiro/início Fevereiro a Março/Abril), vingamento e crescimento dos frutos (Maio a Outubro) e dormência (Inverno). No início do período de rebentação primaveril, os indivíduos da geração de Inverno, sobretudo jovens ninfas, migram para os gomos dos ramos do ano. Durante este período, o desenvolvimento das ninfas ocorre paralelamente com o crescimento dos ramos. Quando as fêmeas atingem o estado adulto, migram para o tronco e ramos para realizarem a postura. O segundo período inicia-se com a migração das ninfas da 2ª geração, do tronco e ramos para a periferia da árvore, durante os meses de Maio e Junho, as quais se instalam preferencialmente no espaço entre as sépalas e os frutinhos. Nas gerações seguintes, os indivíduos tendem a colonizar a totalidade da superfície do fruto, em particular nas zonas mais protegidas como sejam zonas de contacto entre dois ou mais frutos ou entre folhas e frutos. Durante o período de Verão, observa-se a migração de fêmeas para o tronco e ramos, onde efectuam a postura. Durante o período de hibernação, os indivíduos de P. citri encontram-se geralmente dispersos pela copa da árvore sobre diversos órgãos, preferencialmente em locais abrigados como sejam as reentrâncias dos ramos e tronco, as secreções e despojos da mosquinha branca (Aleurothrixus floccosus Maskell) ou as folhas enroladas devido ao ataque de afídeos. O número de gerações é variável em função das condições ecológicas de cada região. Em Portugal, os estudos efectuados apontam para a existência de três a cinco gerações, dependendo dos locais e dos anos.
A sintomatologia desenvolvida pela acção desta praga resulta da sua actividade alimentar e relaciona-se com os estragos directos e indirectos que provoca. Assim, existem os estragos directos resultantes da actividade alimentar, os quais incluem redução do calibre dos frutos, deformação da casca dos frutos e aparecimento de manchas cloróticas em frutos e folhas e pode, ainda, interferir com a abcisão prematura de frutos e folhas. Como resultado da actividade alimentar, P. citri excreta elevadas quantidades de melada, a qual serve de substrato para a instalação de fumagina, que conduz a estragos indirectos. A fumagina apesar de não atacar os tecidos vegetais, uma vez que se trata de um fungo saprófita, a sua presença sobre os órgãos vegetais pode funcionar como uma barreira física, impedindo que se efectuam as trocas gasosas entre o tecido vegetal e a atmosfera. Por esta razão, tem-se registado que a presença de fumagina pode originar um decréscimo da taxa fotossintética aparente e da transpiração de folhas e frutos e, ainda, interferência com a coloração dos frutos. A presença de fumagina nos frutos origina também um acréscimo de custos devido à necessidade da sua remoção. A melada constitui igualmente um atractivo para outros organismos, como seja os lepidópteros carpófagos (isto é, Cryptoblabes gnidiella (Millierè), Ectomyelois ceratoniae (Zeller)), os quais originam a perfuração e/ou escarificação dos frutos, alterações da coloração e, posteriormente, a sua abcisão prematura. A presença de manchas cloróticas, massas cerosas, melada e fumagina constituem factores de depreciação comercial.
Lepidosaphes beckii Newman (cochonilha vírgula)
A cochonilha vírgula apesar de ser uma espécie sedentária, uma vez que só tem capacidade de deslocação em dois pequenos períodos da sua vida: após a saída do 1º instar e em macho adulto, encontra-se difundida por todo o país.
Esta espécie da família Diaspididae apresenta ovos com coloração brancos brilhantes e com forma elipsóide. A ninfa móvel apresenta forma oval e coloração esbranquiçada, com três pares de patas, um par de antenas e um par de olhos muito pequenos. Antes de ter completado 24 horas de vida, a ninfa do 1º instar fixa-se e inicia-se a formação do escudo protector através da emissão de filamentos de cera, os quais inicialmente apresentam coloração esbranquiçada e, após pouco tempo, adquirem a cor de caramelo. A ninfa do 2º instar apresenta um corpo com coloração branca brilhante e já é possível distinguir os dois sexos. Após terminar a segunda muda (3º instar), a qual se situa em posição anterior tal com a primeira, a ninfa assemelha-se bastante com a fêmea adulta, que apresenta um aspecto larviforme e corpo esbranquiçado.
A fêmea do 1º instar apresenta o escudo em forma de “S”, ligeiramente convexo, brilhante e de cor parda escuro com uma tonalidade mais clara nas bordas e mede 2,5 mm de comprimento e 1,0 mm de largura. O corpo da fêmea apresenta coloração esbranquiçada, com a parte anterior mais estreita e a posterior mais larga e com lóbulos abdominais laterais característicos. O escudo da fêmea do 2º instar apresenta-se semelhante ao anterior, a fêmea engorda como consequência da acumulação de ovos no interior do seu abdómen e a sua coloração torna-se mais opaca. Ao efectuar-se a postura, a fêmea do 3º instar situa-se na parte anterior do escudo, deixando mais de metade do mesmo, na sua parte mais larga, para depósito dos ovos. Ao finalizar-se a postura, o corpo da fêmea adquire uma coloração amarelada.
No 3º instar macho ou pré-pupa o escudo do futuro macho é mais estreito do que a da fêmea no 3º instar ninfal. Nesta fase, aparecem os olhos e o corpo adquire uma coloração violácea. O corpo do 4º instar ou pupa apresenta uma coloração arroxeada, são visíveis os olhos negros e os rudimentos das patas, asas e antenas. O macho adulto apresenta a mesma cor da ninfa, um par de antenas compridas, um par de asas brilhantes e membranosas e três pares de patas.
As fêmeas efectuam posturas escalonadas por um período de tempo que pode durar de um a dois meses. Depositam um reduzido número de ovos por dia, o que se traduz numa diferença de idades entre os primeiros e os últimos ovos. Esta característica gera um grande escalonamento nas eclosões e, consequentemente, grande heterogeneidade no nível etário das populações. A fecundidade das fêmeas varia de 50 a 80 ovos podendo atingir 170 ovos. Nesta situação 50 a 70 % das populações são encontradas nos frutos.
As condições climáticas mais favoráveis para o desenvolvimento desta espécie são temperaturas de 25 ºC e humidade relativa de 70 %. Nestas condições, o período de incubação tem a duração de 12 dias, podendo referir-se que as fêmeas atingem o estado adulto em cerca de 47 dias e os machos em 51 dias. A fecundação dá -se cerca de 10 dias após a formação dos estados adultos, tendo o macho uma duração de três dias e as fêmeas dois meses. Deste modo, a duração do ciclo de vida é de 54 e 107 dias, respectivamente para machos e fêmeas. Alguns autores referem como limite inferior de temperatura – zero de desenvolvimento 8,0 ºC, necessitando do somatório de 720ºC/dia para o início da primeira geração.
As ninfas de L. beckii encontram-se preferencialmente em folhas adultas e, quando existem frutinhos recém vingados, debaixo das sépalas dos frutinhos. A saída de ninfas da 1ª geração é bastante uniforme e ocorre entre Maio e princípio de Junho, podendo encontrar-se 80% de formas sensíveis na árvore. O máximo de saída de ninfas da 2ª geração ocorre entre final de Agosto e princípio de Setembro. As ninfas da 2ª geração são aquelas que colonizam o fruto procedentes das fêmeas que localizam debaixo das sépalas dos frutinhos em Julho. A 3ª geração pode ocorrer no Outono e é menor importante que as anteriores. O estado hibernante é constituído por fêmeas com ovos no seu interior.
A cochonilha vírgula pode atacar o tronco, ramos, folhas e frutos. Os sintomas que originam devem-se à sua actividade alimentar que é acompanhada pela injecção de saliva nos tecidos do hospedeiro. Nas folhas origina manchas cloróticas em redor dos locais de alimentação e abcisão prematura. Nos frutos origina igualmente manchas cloróticas de cor verde, mesmo após os frutos mudarem de cor, facto que aliado à presença de indivíduos de L. beckii constitui um factor de desvalorização comercial. É, igualmente, referido redução do tamanho dos frutos e enfraquecimento geral da árvore, particularmente quando as infestações são intensas.
Aspidiotus nerii Bouché (cochonilha branca)
A cochonilha branca também pertence à família Diaspididae. Apresenta ovo com forma oval e coloração amarela. Após a eclosão, a ninfa é móvel, com coloração amarela e três pares de patas e um par de antenas e olhos. Logo de seguida, a ninfa fixa-se, normalmente na vizinhança do local eclosão ou pode ser transportada pelo vento, perde as patas e as antenas e protege-se com uma secreção cerosa esbranquiçada para evitar a dessecação. A ninfa pode apresentar duas mudas e, portanto, três instares ninfas. O corpo das ninfas apresenta coloração amarela. Após a muda do 2º instar para o 3º instar, a ninfa pode diferenciar-se em fêmea ou macho. No caso das fêmeas, estas apresentam o corpo com coloração amarela e no terço final é visível uma coloração vermelha que corresponde ao pigídio, e a forma é arredondada. A fêmea do 2º instar pode ser fecundada e a fêmea do 3º instar pode apresentar ovos e ninfas no seu interior. A película que cobre o corpo da fêmea do 3º instar é mais consistente e apresenta uma coloração creme claro, conservando as mudas centradas com uma tonalidade amarelada. No final do ciclo, a fêmea apresenta-se enrugada, sendo visível o córion dos ovos eclodidos debaixo do escudo. A fêmea adulta possui um escudo quase circular com cerca de 1,5 mm a 2,0 mm de diâmetro, corpo ligeiramente convexo, dom uma coloração creme. O macho apresenta também uma segunda muda, mas mais pequena do que no caso da fêmea. A coloração amarela do corpo da ninfa do 3º instar que origina o macho passa a apresentar pigmentação pardo-avermelhada. De seguida, o macho passa pelos estados de pré-pupa e pupa até atingir o estado de macho adulto. Na pré-pupa, o corpo alarga-se e aparecem os rudimentos das asas, patas e antenas. O corpo da pupa apresenta uma pigmentação pardo-avermelhada mais acentuada, os apêndices são mais visíveis e o escudo branco é mais largo.
Após terminar a metamorfose, a macho adulto alado sai do escudo para fecundar uma fêmea. A fêmea coloca aproximadamente 150 ovos em aproximadamente 5 a 12 dias (4 a 30 ovos cada dia). Os diversos instares ninfais decorrem entre 40 a 50 dias. Esta espécie geralmente apresenta três gerações por ano. Isto corresponde a três períodos de emergência das ninfas móveis, que podem ser atribuídas às gerações sucedendo. Os indivíduos de todas as idades coexistem na mesma planta. O Inverno é passado normalmente como a fêmea nova ou uma ninfa mais velha, mas as ninfas mais novas podem também hibernar, tornando-se activa outra vez, na Primavera. A primeira geração surge em Março-Abril e os machos são numerosos. As ninfas móveis deslocam-se para as áreas protegidas da árvore, estabelecendo-se preferivelmente na página inferior das folhas. Esta geração desenvolve-se em 8 a 9 semanas. A segunda geração ocorre de forma similar e a terceira geração começa em Setembro-Outubro e mantém-se por 6 meses, até o fim do Inverno.
Trata-se de uma espécie polífaga em que os seus estragos estão descritos para outras plantas, quer cultivadas (azeitona, ameixa, citrinos…) quer espontâneas. Nos citrinos é referido a importância dos seus ataques em limoeiro (Citrus limon (L.) nas várias regiões produtoras (Espanha, Itália, …). Na região de Mafra, já foi detectada a sua presença num número considerável de pomares. Os estragos causados por esta espécie resultam do processo de alimentação que consequentemente conduz à queda de folhas, ao enfraquecimento da planta, deformação e desvalorização dos frutos devido à presença de indivíduos de A. nerii e manchas cloróticas resultantes da injecção de saliva tóxica.
Chrysomphalus dictyospermi (Morgan) (cochonilha de pinta amarela)
Esta cochonilha de pinta amarela também pertence à família Diaspididae. O ovo apresenta coloração amarelo pálido, semitransparente, passando a amarelo intenso quando próximo da maturação. A ninfa móvel apresenta forma oblonga, coloração amarela, três pares de patas e um par de antenas e olhos. A ninfa do 1º instar após a eclosão é móvel permitindo que se disperse, mas pouco tempo depois fixa-se e perde os apêndices isto é, patas e antenas e cobre-se com uma secreção cerosa esbranquiçada para evitar a dessecação. Após a primeira muda, a ninfa do 2º instar apresenta coloração parda e o escudo exterior. A ninfa do 3º instar, devido a ter sofrido mais uma muda, apresenta um escudo maior. O corpo da ninfa do 3º instar é de cor amarelo vivo. A fêmea do 1º instar apresenta um corpo com coloração amarelo limão e uma dimensão de 0,6 mm a 0,9 mm de diâmetro e o escudo apresenta-se completamente aderente ao hospedeiro vegetal e mede 1,0 mm de diâmetro. O escudo da fêmea do 2º instar apresenta um prolongamento sedoso com uma tonalidade mais clara e ténue, correspondente às últimas secreções, com coloração avermelhada e mede 1,4 mm, enquanto o corpo apresenta coloração amarela e mede 0,85 mm. O escudo da fêmea do 3º instar pode alcançar 2,0 mm de diâmetro, sendo possível levantar a sua parte posterior para a saída das ninfas móveis. O corpo da fêmea do 3º instar pode medir 1,5 mm e apresenta uma forma reniforme. A fêmea no final do seu ciclo apresenta-se enrugada e com falta de turgescência, a sua coloração escurece e encontra-se adjacente ao córion dos ovos eclodidos. O desenvolvimento dos machos compreende os estados de pré-pupa e pupa a seguir ao estado de ninfa do 3º instar. A pré-pupa apresenta um escudo sub-circular de 0,7 mm e coloração castanho escura, enquanto na pupa já são visíveis os rudimentos das asas, patas e antenas. O macho adulto apresenta um par de antenas compridas e finas, um par de olhos muito juntos e de cor negra, um par de asas membranosas e outro par transformado em halteres e o seu corpo tem coloração amarelo-alaranjada.
Esta espécie também é polífaga surgindo em diversas culturas como citrinos, oliveiras, figueiras, abacateiro entre outras. Hiberna como fêmeas e ninfas do 2º instar, sendo este último o estado dominante e são estas ninfas que na Primavera se transformam em fêmeas. As posturas ocorrem em Março-Abril e dão origem à primeira geração. A capacidade de postura de cada fêmea varia entre 100 a 150 ovos durante um período de aproximadamente 40 dias, enquanto no Verão este período reduz para 26 dias. As ninfas do 1º instar submete-se à primeira muda ao fim de 8 dias. Os segundos e últimos instares ninfais ocorrem em aproximadamente 13 dias. Mas, são necessários mais 23 dias para a fêmea atingir a sua maturidade sexual e ser capaz de colocar ovos. Os machos tornam-se sexualmente maduros mais rapidamente. Um ciclo completo de C. dictyospermi pode durar 40 dias.
Geralmente, ocorrem 3 gerações ocorrem por ano, mas pode surgir uma quarta geração sob determinadas circunstâncias climáticas (Outono ameno). Os indivíduos desta geração terão dificuldades em sobreviver durante o Inverno. A primeira geração surge na Primavera seguida por uma segunda em Junho enquanto que a terceira não aparece antes do fim de Agosto. As ninfas móveis estabelecem-se na Primavera sobre a página superior das folhas velhas, e mais tarde, em lançamentos e frutos novos. A área em volta da cochonilha fica amarela em consequência da actividade alimentar. As folhas muito infestadas secam e caem. Os frutos infestados ficam deformados. Também pode ocorrer à semelhança dos estragos referidos para outros diaspidídios enfraquecimento da árvore e desvalorização comercial dos frutos.
Saissetia oleae (Olivier) (cochonilha H ou negra da oliveira)
A cochonilha H ou negra da oliveira pertence à família Coccidea. Esta espécie tem o ovo em forma oval, com extremidade afunilada. A sua cor varia de esbranquiçado, no momento da postura, a cor de salmão, de intensidade crescente à medida que se processa o seu desenvolvimento. No 1º instar ninfal pode-se distinguir duas etapas diferentes, a de ninfa neonata, desde o momento da eclosão até que se fixa sobre o hospedeiro e a de ninfa fixa, desde esse momento até à primeira muda. A sua forma é oval, com o dorso ligeiramente convexo e a região ventral plana, de cor esbranquiçada e tem um par de sedas caudais. Depois de instalada numa folha jovem, a ninfa fixa do 1º instar perde as antenas e é visível uma quilha longitudinal incipiente, mas mantém os olhos e as patas, os olhos são de cor vermelho escuro e o corpo brilhante. A ninfa do 2º instar tem o dorso mais convexo que o 1º instar e regista ao longo do desenvolvimento, a formação de duas carenas transversais afastadas entre si e perpendiculares à carena média (longitudinal). Na ninfa do 3º instar a convexidade do corpo aumenta e adquire progressivamente uma coloração castanho-acinzentado e evidenciam-se as carenas longitudinal e transversais, formando a forma típica “H”. Após efectuar a terceira muda, o insecto alcança o estado adulto. A fêmea adulta apresenta o corpo mais circular que o 3º instar. A coloração é cinzenta acastanhada, apresentando-se o corpo convexo, com as carenas longitudinal e transversais bastante marcadas, formando o vulgar “H” bem visível. Com o aproximar do período de postura, o corpo torna-se mais convexo, sendo esta fase acompanhada pela secreção e libertação de laca pelos poros glandulares. Esta substância confere uma cobertura protectora ao seu corpo, contribuindo para o seu escurecimento na fase de postura. No seu interior pode encontrar-se um elevado número de ovos, cerca de 1000 em média. Os machos são raros. O seu escudo tem forma elíptica alongada e é translúcido. Os machos adultos apresentam asas.
Esta é uma espécie ovípara com reprodução partenogénica, o que permite ultrapassar a escassez de machos. A duração do período de postura e incubação é condicionada pela temperatura, variando, respectivamente, entre quatro a 17 dias e entre 14 dias a dois meses.
Após a eclosão, o 1º instar mantém-se um a dois dias na câmara de postura. Depois inicia-se a deslocação, preferencialmente pelas superfícies iluminadas do hospedeiro. Cerca de 90 % dos indivíduos instala-se nas folhas, em ambas as páginas. Este instar apresenta uma longevidade média de cerca de 23 dias. O 2º instar é a fase predominante de hibernação desta espécie, podendo igualmente passar o Inverno no 3º ou 4º instar. É também a fase em que é mais susceptível à acção dos insecticidas e dos parasitóides. Nesta situação, durante o Inverno, ocorre o aumento progressivo das populações do 3º instar. Quando o 3º instar é atingido ainda no Verão o ciclo de vida pode ser antecipado, completando o desenvolvimento em 30 dias. No final do Verão / princípio do Outono, apresenta uma longevidade de 18 a 60 dias. No final deste instar os indivíduos migram para os ramos.
Nas condições mais favoráveis esta cochonilha pode completar uma geração em cerca de cinco meses. Na região mediterrânica e em citrinos completa uma geração anual e inicia uma segunda geração, que se confunde com a primeira. Geralmente, de Fevereiro a Abril, ocorre a saída das ninfas da 1ª geração, as quais iram colonizar os rebentos recém formados originados pela rebentação primaveril. Estas ninfas atingem o estado adulto no princípio do Verão e iniciam um grande período de postura desde Julho a Novembro. As temperaturas elevadas de Verão podem originar uma elevada mortalidade de S. oleae, assim como as temperaturas baixas do Inverno próximas de 0ºC.
A actividade alimentar desta espécie, nos órgãos das plantas onde se instalam e inserem os estiletes, não provoca efeitos tóxicos tão evidentes como os provocados pelas cochonilhas do grupo dos diaspidídeos, mas pode originar o enfraquecimento geral da árvore. A principal nocividade desta espécie resulta dos efeitos secundários provocados pela melada que segrega. As plantas e órgãos afectados são fáceis de identificar devido à presença abundante de melada e/ou fumagina que ocorre desde Novembro a Fevereiro pelos adultos de Inverno que não iniciam a postura.
 Colónia de cochonilha algodão em lançamentos de citrinos (http://aggie-horticulture.tamu.edu/) |
 Estragos em frutos provocados por cochonilha algodão (http://aggie-horticulture.tamu.edu/) |
 Colónia de cochonilha vírgula em folha de citrinos (www.viarural.com.ar) |
 Estragos de cochonilha vírgula em limão (www.viarural.com.ar) |
 Estragos da cochonilha branca em limão (www.inra.fr) |
 Colónia de Chrysomphalus dictyospermi (www.inra.fr) |
 Estragos em frutos provocados por cochonilha amarela (www.inra.fr) |
 Fêmea e ovos de cochonilha H (www.hojiblancaycordoliva.com) |
 Ninfas recém eclodidas de cochonilha H (www.hojiblancaycordoliva.com) |
 Adulto de cochonilha H (www.copyr.it) |
 Cólonia de cochonilha H (www.ipm.ucdavis.edu) |
Introdução |
| Em relação ao controlo biológico, refere-se o papel importante que os inimigos naturais, nomeadamente predadores (Cryptolaemus montrouzieri Muls., Nephus reunioni Fürsch, Leucopis alticeps Czerny, Dicrodiplosis pseudococci (Felt)) e parasitóides (Tetracnemoidea pergrina (Compere), Leptomastidea abnormis (Girault), Anagyrus pseudococci (Girault)), podem desempenhar na regulação dos níveis populacionais de P. citri (cochonilha algodão). Refere-se, ainda, o papel importante que os inimigos naturais nomeadamente predadores (coccinelídeos) e parasitóides, podem desempenhar na regulação dos níveis populacionais de L. beckii (cochonilha vírgula) e S. oleae (cochonilha negra ou “H”). |
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Método de Estimativa do Risco |
Planococcus citri (cochonilha algodão)
Março a Outubro: observação semanal das armadilhas sexuais, para determinar o voo dos machos e o momento em que se deve iniciar as observações nos frutos;
Junho a Outubro: observação visual de 4 – 6 frutos em 30 árvores, ao acaso para determinar a % de frutos com colónias;
Junho a Outubro: observar de 3 em 3 semanas, ao acaso 10 frutos com Ø > 2 cm em 20% das árvores para determinar a % de frutos com colónias de ninfas jovens.
Lepidosaphes beckii, Aspidiotus nerii e Chrysomphalus dictyospermi
Antes da colheita: observação visual de 150 frutos / hectare, ou seja, 5 frutos (1 por quadrante + 1 interior da copa) x 30 árvores, ao acaso, para determinar a % de frutos atacados.
Saissetia oleae (cochonilha negra ou H)
Junho a Julho - observação visual de 100 folhas (5 folhas (1 por quadrante + 1 interior da copa) x 20 árvores, ao acaso); observação complementar de 40 ramos, de 40 cm de comprimento (2 ramos x 20 árvores, ao acaso)
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Tomada de Decisão |
Planococcus citri (cochonilha algodão)
Verão - 5-10% de frutos ocupados com colónias de ninfas jovens
Outono - 15-20% de frutos ocupados com colónias de ninfas jovens
Lepidosaphes beckii, Aspidiotus nerii e Chrysomphalus dictyospermi
2-3% de frutos atacados na colheita anterior
Saissetia oleae (cochonilha negra ou “H”)
3 - 5 ninfas (1º e/ou 2º instar) / folha
3 – 4 fêmeas adultas / ramo
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| Substância Activa |
Formulações |
Concentração (g sa/hl) |
Classificação Toxicológica |
Intervalo de Segurança (dias) |
Link DGAV |
| clorpirifos |
CS |
72, 5 - 95 |
Xi, N |
28 |
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| Máximo 2 aplicações. Adicionar óleo de verão na concentração de 800-1200g s.a/hl. |
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| clorpirifos |
EC |
72 - 96 |
Xn, N |
28 |
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| Máximo 2 aplicações. |
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| óleo de verão |
EC |
1485 - 1584 |
Xn, N |
- |
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| Regar antes da aplicação.
Não aplicar desde a floração até os frutos terem o tamanho de uma noz. |
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| óleo de verão |
EO |
1600 |
Is; N |
- |
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| Regar antes da aplicação.
Não aplicar desde a floração até os frutos terem o tamanho de uma noz. |
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| óleo de verão |
EW |
1600 |
N |
- |
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| Regar antes da aplicação.
Não aplicar desde a floração até os frutos terem o tamanho de uma noz. |
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