Limão Actualizado 05/08/2011
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AFÍDEOS
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Aphis gossypii Glover (afídeo verde do meloeiro), Aphis spiraecola Patch (afídeo verde dos citrinos), Toxoptera aurantii (Boyer de Fonscolombe) (afídeo negro dos citrinos)
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Existem várias espécies de afídeos que são referidas como inimigos da cultura. Mas, apenas o Aphis gossypii (afídeo verde do meloeiro), Aphis spiraecola (afídeo verde dos citrinos) e Toxoptera aurantii (afídeo negro dos citrinos) atinjem, com alguma frequência, elevadas densidades populacionais. Estas espécies e Aphis craccivora, para além dos prejuízos directos que causam na cultura, são ainda responsáveis por prejuízos indirectos pelo facto de serem considerados vectores do Citrus Tristeza Closterovirus (CTV).
De modo geral, os afídeos possuem o corpo mole, ovóide variando o seu comprimento entre 1 e 4 mm, conforme as espécies. A cabeça, tórax e abdómen são mais ou menos distintos, podendo apresentar coloração diferente. Podem existir formas ápteras e aladas. Os afídeos alados, com dois pares de asas, apresentam a cabeça e o tórax fortemente escleroterizados e uma menor diversidade de formas. As várias espécies que podem causar estragos na cultura apresentam colorações desde o negro, vermelho até ao amarelo claro. As antenas são desenvolvidas, variando o número de sensórios secundários, tamanho das sedas e enfuscação dos artículos antenares. Os tubérculos frontais podem ser paralelos, pequenos (conferindo fronte sinuosa), divergentes ou convergentes. Estas espécies apresentam sifões e cauda desenvolvida, variando a sua forma e coloração de acordo com a espécie. Particularizando cada uma das espécies acima referidas temos:
No A. gossypii as dimensões do corpo e a coloração variam bastante. As populações de Inverno são formadas por indivíduos grandes e de cor escura, isto é verde a acastanhada. Nas populações de Verão predominam os indivíduos pequenos e de colorações claras. Em ambas, há sempre mistura de indivíduos grandes e pequenos, claros e escuros, com toda a gama de formas intermédias. Esta espécie é muito cosmopolita e tem um elevado grau de polifagia, vivendo sobre nos vértices vegetativos, na página inferior das folhas e, frequentemente nas flores, em mais de 70 famílias botânicas (por exemplo cucurbitáceas, malváceas, citrinos, pomóideas, solanáceas, plantas ornamentais). Tem como temperatura óptima de desenvolvimento 25ºC. Os citrinos não reagem de modo apreciável aos ataques desta espécie.
No caso do A. spiraecola as formas ápteras apresentam coloração verde ou verde-amarelada e as aladas com cabeça e tórax pretos e abdómen verde. A cauda e os sifões são pretos. É uma espécie cosmopolita e muito polífaga tendo como principal hospedeiro primário, onde passa o Inverno, espécies do género Spiraea spp. (sempre-noiva) e, por vezes, algumas pomóideas e hospedeiros secundários, onde se encontra no Verão, citrinos, pomóideas, prunóideas entre outros. A temperatura óptima para o desenvolvimento das suas colónias é de 27ºC. Apresenta várias gerações anuais e nos citrinos é a espécie que provoca estragos mais graves.
E no T. aurantii quer as forma ápteras como as aladas são de cor castanho-escura, com ninfas baças e os adultos brilhantes. Os sifões e a cauda são pretos. É uma espécie polífaga, mas em regiões de clima temperado manifesta uma clara preferência pelos citrinos. Vive principalmente sobre árvores ou arbustos de folha persistente (por exemplo Citrus sp., Pittosporum sp., Camellia sp., Rhamnus sp., cafeeiro, cacaueiro, chá) e, ainda, em trepadeiras de folha persistente, e mais raramente em plantas de folha caduca. A temperatura óptima de desenvolvimento é de 20ºC. Em Espanha é considerada como uma espécie que apresenta um maior desenvolvimento populacional em limoeiro.
A presença dos afídeos na cultura está sujeita aos condicionalismos ambientais e estado fenológico da cultura. São particularmente importantes no período primaveril, podendo surgir infestações com alguma importância no Outono, em pomares desequilibrados ou com condições edafo-climáticas favoráveis. Os afídeos são polífagos, anolocíclicos e heteróicos. Têm reprodução partenogénica, completando um elevado número de gerações sobre este hospedeiro secundário. Os afídeos alados são o foco de contaminação no pomar, dando origem a uma geração áptera que vai infestar a jovem rebentação; os afídeos ápteros podem originar ninfas ápteras ou aladas responsáveis pela sua disseminação no pomar.
De modo geral, os afídeos colonizam os rebentos foliares e florais dos citrinos, estando as suas densidades populacionais condicionadas pela presença destes órgãos vegetativos. Encontram-se com frequência na página inferior das folhas, afectando a planta pela extracção de seiva e injecção de toxinas. Estes estragos directos podem provocar a formação de distorções nas folhas (hipertrofia de tecidos herbáceos lenhosos - enrolamento e deformação), queda de folhas e flores. Esta acção provoca diminuição no crescimento da jovem rebentação e, por vezes, a morte dos raminhos, condicionando o desenvolvimento vegetativo da árvore, especialmente se esta for jovem e afectando a floração e a frutificação.
Por outro lado, a melada excretada por muitas espécies de afídeos constitui uma fonte de alimento para formigas e vespas, cuja acção é prejudicial para a dinâmica dos auxiliares. Pode também provocar queimaduras na planta e servir de substrato para fungos saprófitas, como a fumagina, que cobre os órgãos verdes afectando a capacidade fotossintética e diminuindo o valor comercial dos frutos. Este tipo de estragos pode evoluir para prejuízos elevados, se as condições ambientais favorecerem o potencial biótico das colónias.
Os afídeos provocam, ainda, estragos indirectos pela transmissão e dispersão de vírus. Um afídeo pode transmitir um vírus específico ou vários tipos de vírus. Um vírus pode ser transmitido: por várias espécies de afídeos ou ser específico de uma espécie; ser do tipo persistente ou não persistente. O Citrus Tristeza Closterovirus (CTV) é transmitido de forma não persistente, por várias espécies de afídeos, sendo o vector mais eficiente a Toxoptera citricidus.
 Colónia de A. gossypii em folha de citrinos (www.ua.es) |
 Alado de A. gossypii (www.ipm.ucdavis.edu) |
 Ápteros de A. gossypii (www.ipm.ucdavis.edu) |
 Encarquilhamento das folhas originado A. spiraecola (www.inra.fr) |
 Alados e ápteros de A. spiraecola. (www.agnet.org) |
 Colónia de Toxoptera aurantii (www.pikul.lib.ku.ac) |
Introdução |
| Os inimigos naturais, quer predadores (coccinelídeos, crisopídeos, sirfídeos) quer parasitóides, desempenham um papel importante na regulação dos níveis populacionais dos afídeos, permitindo em muitas situações a limitação natural e consequentemente evitar a utilização da luta química. |
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Método de Estimativa do Risco |
Abril – Novembro: colocação e observação das armadilhas cromotrópicas para detectar o aparecimento dos afídeos no pomar e seguir a curva de voo dos mesmos,
Abril – Novembro: observação visual 100 rebentos (2 rebentos/árvore x 50 árvores, ao acaso) para determinar a percentagem de rebentos ocupados.
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Tomada de Decisão |
Para cada espécie foram estabelecidos os seguintes NEA:
A. gossypii - 10-20% de rebentos infestados
A. spiraecola - 5-10% de rebentos infestados
T. aurantii - 10-20% de rebentos infestados
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| Substância Activa |
Formulações |
Concentração (g sa/hl) |
Classificação Toxicológica |
Intervalo de Segurança (dias) |
Link DGAV |
| acetamiprida |
SP |
5 |
Xn, N |
14 |
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| Máximo 2 aplicação. Para os produtos fitofarmacêuticos com base em substâncias activas do grupo dos neonocotinóides, só são permitidas duas aplicações por ciclo cultutal e para o total das finalidades, quando aplicável. Permitido temporariamente. |
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| acetamiprida |
SG |
5 |
Xn, N |
14 |
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| Máximo 2 aplicação. Para os produtos fitofarmacêuticos com base em substâncias activas do grupo dos neonocotinóides, só são permitidas duas aplicações por ciclo cultutal e para o total das finalidades, quando aplicável. Permitido temporariamente. |
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| pimetrozina |
WG |
10 |
Xn, N |
21 |
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| Não efectuar mais de 1 tratamento. |
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| pirimicarbe |
WG |
25 - 37,5 |
T, N |
14 |
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| Não efectuar mais de 2 aplicações. |
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| tiametoxame |
WG |
3 |
N |
28 |
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| Em laranjeiras, limoeiros e mandarinas. Não efectuar mais de 1 tratamento. A aplicação deve ser feita logo que se observem os primeiros sintomas de ataque. Para os produtos fitofarmacêuticos com base em substâncias activas do grupo dos neonocotinóides, só são permitidas duas aplicações por ciclo cultutal e para o total das finalidades, quando aplicável. Permitido temporariamente. |
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